1) Como foi seu processo de estudos para ingressar na polícia civil?

Me formei em direito no ano de 2011 e após um tempo sem estudar e desmotivada em razão de alguns problemas de cunho pessoal, criei “coragem” para recomeçar e perseguir o meu sonho. Coincidentemente, saiu a publicação do edital do concurso de delegado no ano de 2013. Foram 03 meses de estudos para a prova objetiva. Elaborei um cronograma de estudos com as matérias do edital e estudava 12 horas diárias de segunda a sábado (das 07h às 12h e das 14h às 21h) e 04 horas aos domingos. Gostava de estudar uma matéria por dia. Acredito que além da minha motivação e esforço encarar essa carga horária de início só foi possível, pois sempre estudei em período integral (minha faculdade era das 8h às 17:10h). Além disso eu teria apenas 03 meses para me preparar. Ao decorrer do certame (fases dissertativa e oral) mantive a mesma carga horária de estudos. Me matriculei em cursinhos preparatórios, o que foi de suma importância, pois além de conhecer e trocar experiências com outros colegas, consegui “centrar” melhor os estudos no sentido do que era mais cobrado nas provas. Continuei usando o mesmo material. Meu caderno, além da lei seca e leitura de informativos do STJ e STF.

2) Vivemos em mundo ainda de muito preencoceito e machismo, como foi seu processo de decisão para ingressar na carreira policial?

Tenho consciência de que infelizmente o preconceito e o machismo estão presentes em nossa sociedade, mas nunca encarei isso como um obstáculo.

3) Na sua opinião o estudo com organização é um passo primordial para quem deseja passar no concurso com mais agilidade e rapidez?

Com certeza. Acredito que a organização aliada à disciplina são imprescindíveis para alcançar o resultado desejado. Apenas dessa maneira é possível otimizar os estudos e esgotar os itens previstos no edital.

4) Quais foram os maiores desafios durante sua trajetória de estudos?

Sempre gostei de estudar e estava muito focada no meu objetivo. Estudar era um grande prazer, então “abdicar” da vida social não foi nenhum desafio. Afinal, encarava como apenas um “período” para após poder viver o sonho profissional. Entretanto, quando me deparei com a fase oral, o grande desafio foi lidar com a minha ansiedade e cobrança.

5) Você ainda presencia algum tipo de preconceito (com as mulheres na Policia Civil) ao seu redor, de maneira geral?

Nunca presenciei nenhum preconceito comigo ou com outras mulheres na polícia civil, mas sei que ele existe, pois já ouvi relatos de colegas. Na verdade, acredito que algumas situações ocorreram (onde fui “testada”) em razão da minha idade ou falta de experiência logo ao assumir o cargo e não necessariamente por uma questão de gênero.

6) O que te motiva todos os dias na sua rotina de trabalho?

Amo o que eu faço. Gosto de desafios. Ser policial é isso. Nunca sabemos como será o plantão / expediente ou a que horas retornaremos para casa. Mas, a satisfação de realizar um bom trabalho é indescritível! Poder exercer um cargo em prol da sociedade sempre foi o meu desejo. A polícia é o único órgão que está aberto 24 horas a serviço da população e as vezes basta um bom atendimento para que que possamos fazer a diferença na vida de uma pessoa.

7) Ser mãe, casada e ainda com todos os afazeres do cotidiano, como é lidar com tudo isso ao mesmo tempo?

Quando não estou trabalhando, na vida pessoal tento viver da maneira mais leve possível. Mas, me cobro demais. Estou em constante aprendizado e amadurecimento. Reconheço que “não levar o trabalho para casa é um grande desafio”! O importante é termos nossos objetivos bem definidos e compartilharmos a vida com alguém que entenda a demanda da nossa profissão, a qual exige muito de nós, não só emocionalmente, mas, também, em relação a carga horário de trabalho.

8) Qual recado você deixaria para as mulheres que queiram ingressar na carreira policial?

Acreditem em vocês! Nós somos capazes! Trabalhem duro, não se sabotem, o caminho é árduo, mas a vitória é possível! E, se realmente for um sonho profissional, garanto que todo esforço percorrido valerá a pena!